proposta iii: objecto-vídeo

O que me levou a fazer este trabalho com a Carolina foi por surgir em conversa o tema das novas políticas de privacidade que todo o tipo de redes sociais nos bombardeou durante o mês de Maio.
Ao contrário do que pensamos, a nossa privacidade está corrompida. Vivemos a acreditar que temos controlo sobre  que fazemos e o que vemos ou queremos ver, mas na verdade somos constantemente manipulados e atraídos para redes infinitas de informação seleccionada por quem benificia dos nossos interesses.
Vivemos em constante troca de informação com imensos contactos, em diversas redes, mas esquecemo-nos que à medida que o fazemos, expomos cada vez mais os nossos dados pessoais. Ter uma conta no Facebook, no Twitter, no Instagram e até mesmo no Google, são meios de expormos os nossos dados pessoais sem darmos conta. Inicialmente achamos que se não publicarmos ou partilharmos a nossa morada, nos sentimos mais protegidos, mas essa informação, por mais que acreditemos, é algo fora do nosso controlo. E este é só um exemplo.
As novas políticas de privacidade só vieram avisar que os nossos dados estarão ainda mais expostos, pois agora, até as nossas conversas nos chats pessoais vão ser lidas supostamente para detectar casos de assédio ou bullying, no entanto, se estão a ser vistas para detectarem esses crimes, são vistas para detectarem todo o tipo de informação, e como alegam: para detectar interesses de modo a que a publicidade com que somos bombardeados seja o mais próximo dos nossos gostos pessoais possível. Não recebemos informação original, mas sim algo previamente desconstruído.

Neste vídeo tivemos como objectivo expandir o conceito de privacidade para o quotidiano, transpondo-o num espaço que nos é comum a todos e que representa um local íntimo e pessoal de cada um: uma casa de banho. E para ilustrar esta ideia de como cada um se expõe nas redes sociais quase sem questionar, criamos instruções que enviamos pelo Messenger de modo a que as pessoas partilhassem connosco algo pessoal através de uma rede social.
Portanto, com o consentimento de todos, sem que muitos deles o questionassem, conseguimos ter acesso a algo privado das pessoas de uma forma super rápida e eficaz.

Esta é a atitude que temos perante as redes sociais. Apesar de sabermos ou termos consciência de que isto é a realidade e nos está a acontecer a todos, compactuamos porque acabamos por aceitar que é o preço a pagar pelo acesso a informação e comunicação. E ceder a estas políticas, perdemos a nossa privacidade. E as pessoas que responderam a esta proposta compactuaram não só connosco, mas com as redes, porque tal como nós, fazem parte dela.

As instruções:
Um- vai à casa de banho
Dois- põe-te em frente ao espelho e encosta-te à parede oposta em que está situado
Três- filma o espelho com o telemóvel durante 20 segundos na horizontal
Quatro- filma o espelho com o telemóvel durante 20 segundos na vertical
Cinco- Envia para este e-mail os teus vídeos: carolinaqrmv@gmail.com
Atenção: o telemóvel ou câmara deve estar ao nível dos teus olhos e perto deles, de forma ao dispositivo tapar a tua cara e permanecer imóvel.

proposta ii: cut up

Para esta proposta criamos um grupo de trabalho.
Depois de dissecar um excerto de William Burroughs, encontramos nesse texto, passagens, palavras, sílabas. A proposta mostrava como era a partir da palavra que este trabalho deveria ter origem, e como poderíamos dissecá-la ao ponto de o essencial nela ser o som que a contém quando dita.

Para tal encontramos várias frases no texto que nos interessavam, entre elas "Adão sente vergonha". E a partir desse momento começamos a pensar em palavras parecidas às palavras que compunham esta frase de modo a criar um novo texto.

Adão sente vergonha.
Adão não sente,
não mente mas sente,
somente Adão mente,
só na mente o Adão sente vergonha.


Usando o cut-up como ferramenta principal, decidi que o mais importante para mim seria dissecar ao máximo o mínimo de imagens possível, trabalhando exaustivamente a mesma imagem, que no meu caso, foram as mãos em constante movimento e em constante contacto com alguma coisa. No entanto, sinto que isto poderia ter sido explorado muito mais, porque podia ter usado menos fragmentos de vídeos diferentes, de forma a usar, por exemplo, apenas um clip que cortava exaustivamente de forma a que esse vídeo ganhasse muito mais com a edição e a ferramenta do cut-up.

resposta em grupo
A resposta em grupo não foi de todo como imaginei.
Quando todos decidimos usar a mesma faixa sonora já editada, o objectivo seria fazer um género de video-split com os vídeos de cada elemento do grupo, compondo assim uma tela com diferente ecrãs, mas que no fim batessem certo pois todas as imagens surgiam do mesmo banco de imagens. No entanto só eu e a Carolina decidimos realmente juntar os nossos vídeos, visto que a informação não ficou clara entre todos.
De qualquer maneira gostei muito mais deste resultado do que o meu vídeo individualmente. Acho que foi importante ter estes dois vídeos a complementarem-se visto que criam entre eles mais ritmos do que cada um por si, ou mais até que a faixa sonora.

proposta i: a câma(e)ra

Eu atrasei-me nesta proposta porque inicialmente tive alguma dificuldade em perceber como as duas imagens de um video split poderiam funcionar conjugadas com a câmara como elemento principal.
Como tal, a solução que arranjei foi começar a procurar vídeos que tinha em arquivos meus, de experiências anteriores e perceber como as poderia enquadrar, para que falassem entre elas e que trouxessem a câmara à tona.

Aqui conjuguei dois vídeos, um de um amigo meu a tentar preparar aquilo que considerava ideal como luz. No outro um momento que capturei de uma mancha de luz projetada pelo sol através do espaço entre ramos de árvores, onde, por sorte, passou uma mosca.
Gostei de ver estes vídeos um ao lado do outro porque me lembro que foram filmados na mesma semana, sem objetivo nenhum. E de repente sinto que ganharam um propósito, mas mais que isso criaram um diálogo. Um diálogo entre luz artificial e luz natural, entre o interior e o exterior, entre o movimento e aquilo que é estático.
Acho importante referir o pormenor da mosca que entra em cena, porque me lembro de ficar chateada por ela ter entrado no enquadramento que fiz, no entanto, agora, sinto que faz sentido existir estando ao lado do outro vídeo, pois quando a mosca sai de cena, no vídeo vizinho o Gil também faz um movimento e quase saem ambos de cena numa coreografia.

plano de sequência

É lançada a primeira proposta: plano de sequência

Para o plano de sequência decidimos criar, em grupo, um ambiente favorável para a produção de trabalho. Decidimos portanto usar como espaço o estúdio de vídeo da faculdade para perceber que tipo de filmagens poderiam surgir.
Neste espaço, que à primeira vista parece tão pequeno e sem interesse, rapidamente, pela forma como cada elemento do grupo se movimentava e pela forma como organizavam algum material disponível na sala (desde um, escadote, luzes, uma mesa, algumas cadeiras), facilmente começamos a ter ideias, tantas que o que acabou por ser mais difícil foi coordenar o tempo que tínhamos para as conseguirmos executar.
Como tal, os dois vídeos que seleccionei deste conjunto de experiências, acho que revelam muito do acaso dos materiais da sala.

Neste vídeo quis explorar o momento de montagem do cenário, pois enquanto o fazíamos, eu estava a programar a câmara e apercebi-me que quando se mudou o foco de luz de posição, a luz deixou de estar tão exposta por não estar a apontar diretamente para a câmara. Por isso, repetimos a montagem de forma a podermos capturar este momento (apesar de recriado). 


Neste segundo vídeo, o propósito foi explorar ao máximo os objetos que a sala continha. Como tal, apercebemo-nos das posibilidades de reflexões que este vidro da mesa poderia fazer. Só mais tarde a ver o resultado deste vídeo, é que me apercebi que se movessemos o vidro um pouco mais conseguíamos criar a ilusão de que a estrutura da mesa poderia ficar alinhada com a sua imagem refletida no vidro!

proposta iii: objecto-vídeo

O que me levou a fazer este trabalho com a Carolina foi por surgir em conversa o tema das novas políticas de privacidade que todo o tipo de...